{"id":694,"date":"2015-11-30T17:28:28","date_gmt":"2015-11-30T17:28:28","guid":{"rendered":"http:\/\/km.adv.br\/?p=694"},"modified":"2015-12-03T13:56:36","modified_gmt":"2015-12-03T13:56:36","slug":"socios-e-amigos-formula-de-sucesso-ou-armadilha-da-psique","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/km.adv.br\/en\/socios-e-amigos-formula-de-sucesso-ou-armadilha-da-psique\/","title":{"rendered":"S\u00f3cios e Amigos \u2013 F\u00f3rmula de Sucesso ou Armadilha da Psique?"},"content":{"rendered":"<h6>Autor Simone Kamenetz<\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em recente artigo postado, tratamos das formas de prevenir lit\u00edgios numa sociedade limitada. Da receita a ser seguida, constam um contrato social bem estruturado, um acordo de s\u00f3cios abrangente e limites bem estabelecidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abordamos as consequ\u00eancia de sociedade entre pessoas que pouco ou nada se conhecem, mas que, na \u00e2nsia de constitu\u00edrem seu pr\u00f3prio neg\u00f3cio, acreditam que a uni\u00e3o entre o capital de um e a alegada <em>expertise <\/em>do outro \u00e9 a f\u00f3rmula para o sucesso inevit\u00e1vel. Essa certeza costuma naufragar com relativa rapidez e dolorosos preju\u00edzos na maioria dos casos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas&#8230; e as sociedades constitu\u00eddas entre amigos? Pessoas que se conhecem h\u00e1 muitos anos, mas que jamais estiveram na situa\u00e7\u00e3o de dividir interesses comerciais \u2013 quais as chances de sucesso?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Evidentemente, a resposta a essas perguntas tende a uma l\u00f3gica elementar, pela qual duas ou mais pessoas que sejam amigas, com uma rela\u00e7\u00e3o pessoal bem sucedida, certamente se relacionar\u00e3o com o mesmo sucesso numa iniciativa profissional. Afinal, a amizade duradoura seria a garantia da lealdade, honestidade e da sinergia fundamentais para que a sociedade nas\u00e7a sob os des\u00edgnios dos resultados positivos. Ou n\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto os s\u00f3cios que mal se conhecem padecem de bases para alicer\u00e7ar uma confian\u00e7a m\u00fatua e uma certeza da compet\u00eancia e do profissionalismo de cada um, aqueles que se conhecem muito bem socialmente carecem de outros \u00e2ngulos de perspectiva e excedem em certezas (e cegueiras) perigosas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Grandes amigos conhecem os segredos e as fragilidades uns dos outros, vantagem que, numa disputa societ\u00e1ria, transformar\u00e1 o ex-amigo num inimigo acima da m\u00e9dia, com um <em>know-how <\/em>perigoso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma rela\u00e7\u00e3o de amizade, que usualmente n\u00e3o envolve interesses financeiros, pode suprimir a capacidade de um julgamento imparcial sobre a conveni\u00eancia de levar a amizade a um outro n\u00edvel de relacionamento \u2013 o comercial. Afinal, la\u00e7os de amizade n\u00e3o s\u00e3o atestados de compet\u00eancia ou integridade incondicional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Associar-se a um amigo \u00e9, de fato, menos arriscado do que associar-se a um desconhecido; no entanto, todas as preven\u00e7\u00f5es e cuidados que devem ser tomados na segunda hip\u00f3tese n\u00e3o podem ser negligenciados na primeira. A ideia de que uma sociedade feita de amigos ser\u00e1, sempre, conduzida pela boa-f\u00e9 ou \u00e0 prova de lit\u00edgios \u00e9 t\u00e3o equivocada quanto a impress\u00e3o de que dois desconhecidos, sendo um capitalista e outro um alegado <em>expert <\/em>no objeto da sociedade, podem prescindir de acordos bem costurados que garantam um bom in\u00edcio, um desenvolvimento seguro e, se for o caso, um fim sem ru\u00eddos. Associar-se a amigos leva \u00e0 equivocada certeza de que os cuidados necess\u00e1rios para uma seguran\u00e7a jur\u00eddica est\u00e3o dispensados, e que acordos verbais s\u00e3o suficientes para garantir o cumprimento das obriga\u00e7\u00f5es assumidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lit\u00edgios entre desconhecidos ou pessoas sem grande ou nenhum la\u00e7o afetivo j\u00e1 s\u00e3o, por si s\u00f3, extenuantes, tanto do ponto de vista emocional, quanto financeiro. Mas lit\u00edgio entre ex-amigos, originado por disputas sobre lealdade ou dinheiro, esse pode ser esmagador. As quest\u00f5es jur\u00eddicas adquirem contornos passionais, especialmente quando uma das partes percebe que aquele amigo de tantos anos, a pessoa em quem cega confian\u00e7a foi depositada, n\u00e3o passa de um estranho, para quem os interesses ou as vantagens financeiras \u2013 seja a pessoa merecedora ou n\u00e3o deles \u2013, justificam qualquer meio para se alcan\u00e7ar o fim pretendido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em casos de sociedade entre amigos, al\u00e9m de todas as medidas de seguran\u00e7a jur\u00eddica necess\u00e1rias, aconselha-se que se inclua no contrato social e no acordo entre s\u00f3cios uma cl\u00e1usula de media\u00e7\u00e3o e concilia\u00e7\u00e3o no artigo relativo \u00e0s disputas. Mas aten\u00e7\u00e3o: o mediador\/conciliador deve ser uma pessoa preparada, de prefer\u00eancia de alguma C\u00e2mara especializada e com reconhecimento nesse segmento de atua\u00e7\u00e3o. Uma disputa judicial em situa\u00e7\u00f5es que envolvam emo\u00e7\u00f5es agudas tem grandes chances de aniquilar psiquicamente os envolvidos, e qualquer vit\u00f3ria ser\u00e1 embaciada pelas derrotas e perdas irrepar\u00e1veis que se suceder\u00e3o no curso do lit\u00edgio; mas um mediador\/conciliador despreparado \u00e9 t\u00e3o ou mais nefasto que uma disputa judicial, pois sua condu\u00e7\u00e3o atrapalhada ou incompetente do processo pode acirrar ainda mais os \u00e2nimos e fechar toda e qualquer possibilidade de um acordo honesto e justo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Autor Simone Kamenetz Em recente artigo postado, tratamos das formas de prevenir lit\u00edgios numa sociedade limitada. Da receita a ser seguida, constam um contrato social bem estruturado, um acordo de s\u00f3cios abrangente e limites bem estabelecidos. 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